O passado pesa. Literalmente pesa.
Pensei nisso hoje enquanto procurava um documento e acabei encontrando uma caixa cheia de fotografias. Coisas antigas, memórias registradas. Passado.
E como essa caixa era pesada! Não imaginava que fotos pesavam tanto.
Hoje eu consegui me livrar de uma parte do meu passado. Tô me sentindo melhor, mais leve. Não, eu não joguei as fotos fora. Pelo contrário. Abri álbuns de amigos e meus álbuns do orkut e fui ver fotos. Fotos dos álbuns de amigos do último ano até hoje.
Engraçado como a relação de tempo é diferente em cada situação. As vezes um ano parece passar muito rápido. Estamos em setembro e quando menos se vê já é setembro novamente. Mas ao olhar para as fotos de um ano atrás eu tive a impressão de que se passou muito mais do que um ano.
Esse ano, agosto/2009 a agosto-setembro/2010, foi tempo bastante pra eu viver todo um ciclo: me encantar, conhecer, envolver, apaixonar, jogar a oportunidade fora, sofrer, tentar de novo, sofrer mais, conviver com a dor, começar o processo de libertação e por fim conseguir me libertar. É. Entenda 'processo de libertação' como tentar livrar o coração e a mente do sofrimento, da dor e deixar espaço pro que/quem tiver que vir.
Libertar não é esquecer. Não quero, não devo e não posso esquecer. Faz parte de mim, da minha história, de quem eu sou hoje. Essa 'libertação' é tirar a parte ruim, a parte que dói. Aquela parte que fazia pensar no que poderia ter sido e fazia doer mais. A parte que fazia vê-lo em músicas, livros, filmes e traziam lembranças de momentos que não foram vividos.
Hoje eu voltei a ver as fotos que eu ví há um ano. Na época não tinha coisa que me doía mais do que ver essas fotos. Há 6 meses essas mesmas imagens ainda me doíam. Talvez até mais do que no início. Mas hoje, ao ver tudo novamente eu percebi que finalmente tinha conseguido me libertar dessa dor. Não tive reação, eram como outras fotos quais quer. Percebi isso e pra ter certeza tentei de novo. Voltei depois, vi as fotos e realmente nada acontecia. Então tive a certeza... estou livre.
Depois de um ano eu me vejo livre novamente.
E como é bom me sentir assim!
O afeto ainda existe, eu ainda o amo, mas mudou. Não o quero mais pra mim.
Ouço músicas, leio textos, vejo filmes e ainda lembro, mas lembro só dele, só da parte boa e dor não existe mais.
E como é bom dizer isso e saber que é verdade!
Lembrei de um trecho do Caio Fernando Abreu que eu favoritei há tempos. Quando li pensei nele. Era pra ele. Era. Passado. Não é mais. Não dói mais.
"eu vou ficar calada,um tempo enorme só olhando você sem dizer nada, só olhando e pensando, meu deus mas como você me dói de vez em quando." [Caio Fernando Abreu]
Procurando essa citação do Caio eu encontrei uma da Tati que eu achei muito apropriada.
"Te amo mesmo, talvez pra sempre. Mas nem por isso eu deixo de ser feliz ou viver minha vida. Foda-se esse amor. E foda-se você." [Tati Bernadi]
Eu não disse o Foda-se ainda, mas da mesma maneira que disse a ele que estava apaixonada, disse que ele não me dói mais!
Um comentário:
Pois é.. Foi exatamente assim.. só que durou um pouquinho mais (mais de 1 ano)..
Tudo bem.. Todo mundo precisa passar por isso, cedo ou tarde..
Nunca deixei de viver minha vida, e nem vou deixar.. Mas foi foda.. E ainda dói um pokim.. Mas vai passar!!
bjoO
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