Sentir saudade é diferente de sentir falta?
Há quem diga que sim, há quem diga que não.
Eu acredito que sim, que é diferente. Como diz um amigo meu "coisas diferentes tem nomes diferentes", e saudade é diferente de falta.
Sentir falta, pra mim, é sentir vontade de estar perto, de estar presente, de saber da vida, de ver essa outra pessoa fazendo questão da sua presença, perceber o outro preocupado mesmo que não haja motivo pra preocupação. É interesse, vontade de saber. É, na verdade, querer ter de volta aquilo que aconteceu um dia e hoje não acontece mais.
Saudade é diferente, saudade é mais amplo, é menos pontual. Acho que está ai a diferença.
A Saudade é mais abrangente. É contínuo. Pode ser de gente, de animal, de uma viagem, de um lugar, de um sentimento, de um tempo que passou, de você mesmo ou até disso tudo junto.
A Falta não. Sentir falta é pontual. É de algo específico, é de alguém específico. É sentir falta daquele tipo de conversa, daquele jeito de olhar, da maneira de arrumar o cabelo, da brincadeira que exista só entre você e essa pessoa, do apelido que só sua turma sabia, do passeio que só acontecia com aquela pessoa ou naquela determinada situação.
Só se sente falta daquilo que se teve um dia e hoje não se tem mais. Saudade não. Saudade acontece mesmo que o objeto de que se tem saudade (seja pessoa, coisa, sitação ou sentimento) ainda exista, ainda esteja perto e presente. A falta quer de volta, quer por perto. A saudade é mais livre, pode existir sem querer que aconteça de novo, sem querer por perto. Saudade indica que foi (ou esta sendo) bom, sem pesar por ter passado, ou por estar mudando. Falta é pesado, quer de novo a todo custo, mesmo sabendo da impossibilidade de acontecer. A falta reconhece que passou, que acabou, que não volta mais. A falta é a certeza do fim.
Já ouviu a expressão 'matar a saudade'? Aposto que sim. Já ouviu alguém dizendo que vai 'matar a falta'? Eu nunca ouvi. A saudade ainda trás, de alguma maneira, a esperança do reencontro. A falta não mais. Saudade é saudável, a falta é doentia.
As vezes eu sinto saudade e sinto falta da mesma pessoa. As vezes sinto só um ou só outro. Hoje, por exemplo, eu matei a saudade da Rê (ela passou uns 10 dias fora de Goiânia viajando) mais continuo sentindo falta dela; muita. E ultimamente me percebi sentindo falta de algumas pessoas. Assim, no plural.
É assim que eu ando, sentindo falta ao invés de saudade. E, depois de filosofar sobre os dois sentimentos, me reconheci numa situação ainda pior do que eu me imaginava. É o reconhecimento de que acabou. Passou o tempo. Já foi minha vez. A relação mudou, e, pelo menos pra mim, (por enquanto) mudou pra pior.
Que essa falta seja, aos poucos, no meu tempo, trocada pela saudade.
Amém!
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