Um dia vai chegar minha vez. Um dia vai chegar minha hora. E eu espero estar preparada, apesar de eu achar que nós, humanos, (quase) nunca estamos preparados pra lidar com a morte.
Não, não estou pensando na minha hora de morrer, e sim no momento em que eu perder alguém realmente próximo, que vá me afetar de uma maneira avassaladora, no meu modo de ser, de ver e tratar o mundo. É dessa hora que eu tô falando.
Hoje, dia 25/03/2011, faz um ano que a mãe de um amigo próximo morreu, o Rê. Lembrar da data e tudo que aconteceu naquele vinte e cinco de março me faz refletir sobre várias coisas, e uma delas e a morte e como lidar com ela.
No dia, quando fiquei sabendo, estava na faculdade se não me engano. Pra falar bem a verdade não me lembro de como fiquei sabendo, mas lembro que saí da aula e fui pra casa do Rê onde aconteceria o velório. Era de manhã ainda. Falei com o Pedrim e ele foi comigo do Campus pra lá, eu acho. Quando cheguei na casa do Renato e o vi ele estava com a aparência mais serena que alguém podia ter quando está numa situação dessa. Ele parecia super forte, sabe?? Na verdade não é forte que ele estava, mas parecia que era. Na verdade parecia mais segurança, sabe? A impressão que eu tive é de que ele assumiu por si só o papel de 'porto seguro' na situação. Atento a tudo que acontecia, a todos que chegavam, que saiam, que estavam la. Nenhum choro demasiado, nenhuma cena de desespero, nenhum exagero. Nada. Ele estava lá, sentindo toda a dor que o momento e a situação pediam, mas ainda sim seguro, sereno, calmo. E assim seguiu durante o dia. Fiquei lá o restante do dia até um pouco antes do corpo ser levado ao cemitério. Saí pra buscar a Rê só.
A Renatinha não estava em Goiânia no dia, estava em Luziânia com a família a trabalho. Quando fiquei sabendo da mãe do Rê eu a avisei, mandei mensagem se não me engano. Pouco mais tarde recebi a notícia de que ela estava voltando pra Goiânia por conta do Rê. Durante a tarde ela me ligou pedindo pra buscá-la e então eu fui. Encontrei com ela no lugar marcado e fomos direto ao cemitério. Chegamos lá antes do cortejo, e ficamos conversando sobre tudo que tava acontecendo naquele dia. Tanta coisa pra um dia só. Pouco depois minha irmã chegou. Depois, quando o cortejo chegou, ficamos próximas ao Renato, junto de vários outros amigos dele que estavam lá pra apoiá-lo. O Renato continuava como estava antes, com a mesma imagem que passava força. Não era esse o tipo de reação que eu esperava ao ver um filho que acabava de perder a mãe. Eu falei pra ele no dia e repito: 'Quando eu crescer eu quero fazer como você'. Achei de verdade incrível a maneira que ele levou, encarou, o fato. Ele não tinha mais a mãe dele e nada estava bem, mas pela reação dele parecia que estava, e se não estava ia ficar logo logo.
Comentei isso com a Rê no dia também. Antes, durante e depois do sepultamento. Eu fiquei mesmo muito impressionada com o Renato. Juro que, quando acontecer comigo (e espero que demore a acontecer), eu quero ter a maturidade, o juízo e a calma necessária pra ter uma reação pelo menos parecida a dele. Naquele dia, mais uma vez, o Renato se tornou um exemplo pra mim.
Não acredito que se, nesse um ano que passou, hoje, ou daqui uns dias, meu pai, minha mãe, minha irmã ou algum parente/amigo realmente próximo morresse, eu conseguiria reagir a morte desse alguém de uma maneira tão tranquila e bonita. Já pensei muito sobre isso, principalmente depois do 30/07/2008, e não consigo imaginar, de verdade, a minha reação a morte de ninguém. Nas vezes que tentei imaginar a cena a maneira mais 'fácil' de eu imaginar foi com a morte do meu pai (que já esteve perto de morrer algumas vezes, mas, como um bom gato, está gastando as 7 vidas que ele tem), e em relação a ele acho que seria meio 8 ou 80, sabe?? Ou eu ficaria muito louca, chorando sem parar, falando um monte de coisa sem nem ligar pro que ta acontecendo; ou eu teria uma reação parecida com a do Renato, mais calma, amena, sem muito choro. Se a reação fosse essa segunda opção, concerteza teria uma razão forte, do tipo 'segurar a barra' da minha mãe e minha irmã.
Enfim... melhor parar de tentar prever o futuro. Quando acontecer comigo, saberei de que forma reagir. Só espero que esse dia demore, e muito! Amém!!
No 25/03/2010 aconteceu mais uma coisa que me abalou. Nada que seja direto a mim, mas, afetar amigo meu de maneira tão significativa é a mesma coisa que me afetar.
Esse foi o dia em que vi a Renatinha da maneira mais frágil em todos esse tempo que a gente se conhece. No caminho pro cemitério rolou muita conversa, explicações, choros. Foi tenso, difícil, mas passou. Graças a Deus passou! Por mais que eu não tenha feito nada, nada mesmo, foi nesse dia, nessa época, que me senti mais amiga e mais próxima a Rê do que nunca. Essa proximidade tamanha já vinha de uns dias antes desse, mas, com essa situação toda e toda a fragilidade que ela implicava, eu pude de verdade me sentir útil, sentir 'amiga pra caralho', sentir sendo apoio, ajuda, mesmo que eu não fizesse nada. Época de coisas simples, pequenas declarações, mas que tinha, e ainda tem, um significado tão grande. Tão simples e tão complicado ao mesmo tempo.
Hoje acho que me falta um pouco da segurança que eu tinha a um ano atrás. Não me achava segura naquele tempo, e hoje acho que sou menos ainda. Não precisava de verbalizações, cartas ou outros tipos de escrituras e demonstrações. Eu apenas sentia, fazia parte, e isso bastava. Sabia o que eu representava, o que fazer e o que era feito pra/por mim sem que isso precisasse ser dito de forma explícita. Pronto, não tinha necessidade de mais nada, de grandes conversas ou demonstrações. Agora não. Agora precisa, agora não tenho certeza quanto a nada disso.
Cadê a segurança Batera?? Cadê??
Enquanto continuo a pensar sobre isso, boa noite! Por hoje é só.
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